18/12/2025

Logística Integrada.

FIFO, LIFO e FEFO: entenda as diferenças entre os principais métodos de gestão de estoque

Gerenciar estoques de forma eficiente é um dos maiores desafios de empresas que dependem de cadeias logísticas complexas. A escolha do método correto para organizar a entrada e saída de mercadorias impacta diretamente em custos, produtividade e até no nível de satisfação do cliente. Nesse contexto, três estratégias se destacam: FIFO (First In, First Out), LIFO (Last In, First Out) e FEFO (First Expired, First Out).

Cada um desses modelos tem aplicações específicas, podendo ser decisivo em setores como alimentos, medicamentos, eletrônicos ou produtos de consumo duráveis. Entender suas diferenças ajuda gestores a tomar decisões mais assertivas, evitar perdas e alinhar a operação às necessidades do negócio.

Neste artigo, vamos detalhar o funcionamento de cada método, mostrar exemplos práticos e explicar como escolher a estratégia mais adequada para sua operação logística.

O que é o método FIFO (First In, First Out)

O método FIFO – First In, First Out (em português, primeiro que entra, primeiro que sai) é uma das práticas mais utilizadas na gestão de estoques. A lógica é simples: os primeiros itens que entram no estoque são também os primeiros a serem retirados para consumo, venda ou distribuição.

Esse modelo é amplamente adotado em empresas que lidam com produtos perecíveis ou de alta rotatividade, como alimentos, bebidas, medicamentos e cosméticos. Isso porque ajuda a garantir que os itens mais antigos não fiquem parados por muito tempo, reduzindo riscos de perdas por validade vencida ou obsolescência.

Um exemplo prático: imagine um centro de distribuição de alimentos que recebe lotes de leite UHT semanalmente. Pelo FIFO, o lote que chegou primeiro deve ser expedido antes do novo carregamento. Assim, a empresa evita que produtos próximos do vencimento fiquem esquecidos no fundo do estoque.

Além de reduzir desperdícios, o FIFO também aumenta a precisão no controle de inventário, já que há maior previsibilidade sobre a saída dos itens. Essa metodologia é especialmente útil em operações de logística integrada, em que o fluxo contínuo de entrada e saída de mercadorias é fundamental para manter a eficiência e a disponibilidade dos produtos nas prateleiras. Para entender melhor esse contexto, vale conferir o artigo sobre Logística Integrada: o que é, como funciona e por que é essencial para empresas modernas.

O que é o método LIFO (Last In, First Out)

O método LIFO – Last In, First Out (em português, último que entra, primeiro que sai) segue uma lógica inversa ao FIFO. Nesse modelo, os itens mais recentes recebidos no estoque são os primeiros a sair.

Esse tipo de gestão costuma ser aplicado em situações em que a validade do produto não é um fator crítico, mas sim o controle de custos e precificação. Isso ocorre porque, em contextos de inflação ou variação de preços de insumos, o LIFO permite que os itens comprados mais recentemente (e geralmente com valor atualizado) sejam vendidos primeiro. Assim, o custo contábil registrado reflete melhor os preços atuais do mercado.

Na prática, imagine uma empresa de materiais de construção que recebe lotes de cimento em diferentes períodos. Se o preço do insumo varia constantemente, o uso do LIFO possibilita ajustar o custo das vendas ao valor mais recente de compra, oferecendo uma fotografia mais fiel da margem de lucro.

No entanto, esse método apresenta riscos quando aplicado em operações logísticas com produtos perecíveis ou sensíveis ao tempo, já que os itens mais antigos tendem a permanecer armazenados por mais tempo, aumentando a chance de perdas.

Por esse motivo, o LIFO é mais comum em processos contábeis e de gestão financeira do que em setores que dependem de alta rotatividade de estoque. Seu uso também varia de acordo com normas fiscais e regulamentações de cada país, o que pode restringir sua aplicação prática em determinadas indústrias.

O que é o método FEFO (First Expired, First Out)

O método FEFO – First Expired, First Out (em português, primeiro que vence, primeiro que sai) é uma estratégia de gestão de estoque voltada para produtos com data de validade definida. Nesse sistema, a prioridade não é a ordem de entrada no estoque, mas sim a data de vencimento do item.

Em operações que envolvem alimentos frescos, medicamentos, cosméticos e produtos químicos, o FEFO é indispensável. Ele garante que os produtos mais próximos do vencimento sejam expedidos primeiro, reduzindo riscos de descarte e prejuízos financeiros.

Um exemplo clássico ocorre em farmácias e distribuidoras de medicamentos: dois lotes de um mesmo remédio podem chegar em datas diferentes, mas o lote com validade mais curta precisa ser vendido antes, independentemente de ter entrado no estoque depois. Esse controle é essencial para atender às regulamentações de segurança sanitária e preservar a confiança do consumidor.

O FEFO também se destaca em operações de e-commerce e supermercados, onde a diversidade de produtos exige sistemas que rastreiem lotes, datas e prazos de forma precisa. Normalmente, ele é implementado em conjunto com tecnologias de WMS (Warehouse Management System) e RFID (Radio-Frequency Identification), que permitem monitorar prazos em tempo real e evitar falhas humanas na separação de pedidos.

Esse modelo não apenas minimiza perdas, mas também fortalece a sustentabilidade da cadeia de suprimentos, já que reduz o descarte de mercadorias.

Aplicações de FIFO, LIFO e FEFO na Logística Inbound

Na prática, os métodos FIFO, LIFO e FEFO não são apenas conceitos teóricos: eles têm aplicação direta na logística inbound, ou seja, na gestão do fluxo de matérias-primas, insumos e componentes desde fornecedores até a linha de produção. A escolha do modelo ideal impacta diretamente o abastecimento, a qualidade do produto final e até a sustentabilidade da operação.

O uso inteligente desses métodos, apoiado por sistemas como WMS e TMS, ajuda a alinhar a gestão de insumos com a demanda da produção, assegurando abastecimento contínuo e redução de custos. Um bom exemplo é como empresas de logística integrada, como a Tegma, aplicam metodologias semelhantes em operações de granéis e embalagens retornáveis, garantindo sincronia entre portos, armazéns e fábricas.

Um estudo da ABOL sobre o marco referencial sobre operadores logísticos, destaca práticas essenciais para garantir eficiência e compliance em operações inbound.

Diferenças entre FIFO, LIFO e FEFO

Embora os três métodos tenham como objetivo otimizar o fluxo de entrada e saída de produtos, FIFO, LIFO e FEFO se distinguem pela lógica de priorização do estoque. Entender essas diferenças é essencial para definir a estratégia mais adequada para cada tipo de operação.

MétodoPrioridadePrincipais VantagensPrincipais Riscos
FIFOPrimeira entrada = primeira saídaReduz perdas por obsolescência; organização simplesPode não refletir custos atualizados em cenários inflacionários
LIFOÚltima entrada = primeira saídaReflete custos mais atuais; útil em contabilidadePode gerar acúmulo de itens antigos e perdas logísticas
FEFOProduto com vencimento mais próximo sai primeiroEvita perdas por validade vencida; essencial em indústrias reguladasExige controle rigoroso de lotes e tecnologia de rastreamento

A escolha entre os métodos depende da estratégia de negócios, perfil do estoque e exigências regulatórias. Muitas empresas inclusive combinam dois modelos em diferentes linhas de produto, buscando equilíbrio entre eficiência logística e gestão financeira.

Como escolher o melhor método de gestão de estoque

Definir entre FIFO, LIFO ou FEFO não é apenas uma decisão técnica, mas estratégica. Cada empresa deve avaliar fatores como tipo de produto, volume de operações, exigências regulatórias e até o mercado em que atua.

Critérios que ajudam na escolha

  1. Natureza do produto
    • Perecíveis (alimentos, medicamentos, cosméticos) → FEFO é indispensável.
    • Produtos de alto giro e baixo risco de validade → FIFO costuma ser o mais eficiente.
    • Insumos com custos voláteis → LIFO pode ser considerado, principalmente em contextos contábeis.
  2. Exigências regulatórias
    • Setores como o farmacêutico, químico e alimentício geralmente são obrigados a adotar FEFO para atender normas de qualidade e segurança.
  3. Estratégia financeira
    • Empresas que querem alinhar custos contábeis ao mercado podem adotar LIFO, quando permitido pela legislação.
  4. Capacidade tecnológica
    • A aplicação de FEFO exige sistemas robustos de rastreamento de lotes e datas de validade. Já o FIFO pode ser implementado com controles mais simples, embora também se beneficie de automação.
  5. Nível de complexidade da operação
    • Quanto maior a diversidade de produtos e fornecedores, maior a necessidade de tecnologia (como WMS e RFID) para integrar os métodos de gestão de estoque.

Em muitas empresas, a escolha não é exclusiva: setores diferentes podem adotar métodos distintos. Uma indústria farmacêutica, por exemplo, pode usar FEFO para medicamentos, FIFO para embalagens e insumos gerais, e eventualmente LIFO em análises financeiras.

Essa decisão deve ser feita com base em diagnóstico logístico e estratégico. Operadores logísticos de referência, como os que seguem os padrões da ABOL, reforçam que a padronização e o uso de indicadores de desempenho são fundamentais para garantir eficiência na escolha e execução do método.

O papel da tecnologia na gestão de estoque

Independentemente do método adotado — FIFO, LIFO ou FEFO — a tecnologia é a grande aliada para transformar a teoria em prática eficiente. Sem sistemas adequados, qualquer modelo de gestão de estoque pode falhar, gerando perdas financeiras e operacionais.

Principais recursos tecnológicos aplicados

  1. WMS (Warehouse Management System)
    • Permite controlar entradas, saídas e localizações de produtos em tempo real.
    • Essencial para operações que aplicam FEFO, pois organiza o estoque de acordo com a validade dos produtos.
  2. TMS (Transportation Management System)
    • Integra a movimentação do estoque com a logística de transporte.
    • Garante que os pedidos sejam expedidos respeitando as regras do método adotado (FIFO, LIFO ou FEFO).
  3. RFID (Radio-Frequency Identification)
    • Tecnologia que substitui a conferência manual de lotes por sensores automáticos.
    • Ideal para operações complexas com embalagens retornáveis ou alto volume de SKUs.
  4. Torre de controle logístico
    • Fornece visibilidade centralizada de toda a cadeia.
    • Ajuda a monitorar desvios, prever rupturas e gerar indicadores de performance.

Exemplo prático: em uma operação de logística industrial, o uso de WMS integrado ao RFID garante que insumos como químicos, componentes eletrônicos ou matérias-primas sejam direcionados à linha de produção conforme o método correto. No caso do FEFO, por exemplo, o sistema identifica automaticamente qual lote tem validade mais curta e o prioriza no abastecimento da fábrica, evitando desperdícios e interrupções na produção.

Além disso, a integração de dados facilita o uso de análises preditivas, permitindo que empresas antecipem demandas, ajustem níveis de estoque e evitem tanto excessos quanto faltas.

O resultado é uma cadeia de suprimentos mais ágil, confiável e competitiva — algo indispensável em setores que precisam atender clientes cada vez mais exigentes, tanto no B2B quanto no B2C.

Conclusão e próximos passos

Os métodos FIFO, LIFO e FEFO são fundamentais para uma gestão de estoque eficiente. Cada um possui suas particularidades e aplicações ideais: o FIFO é prático e muito usado em produtos de alta rotatividade, o LIFO atende melhor a estratégias contábeis em cenários de variação de custos, e o FEFO é indispensável para setores que lidam com prazos de validade rigorosos.

A escolha correta depende do tipo de produto, do setor de atuação e das exigências regulatórias. Mais do que isso, exige tecnologia para garantir rastreabilidade, previsibilidade e eficiência em toda a cadeia logística. Quando bem aplicados, esses métodos reduzem desperdícios, otimizam custos e elevam o nível de serviço ao cliente.

Agora é hora de dar o próximo passo: quer aprofundar como otimizar seu estoque e logística com métodos modernos? Leia também nosso artigo Logística Integrada: o que é, como funciona e por que é essencial para empresas modernas.

Principais conceitos sobre FIFO, LIFO e FEFO na logística:

1. O que significa FIFO em gestão de estoque?

FIFO (First In, First Out) significa “primeiro que entra, primeiro que sai”. É um método em que os produtos mais antigos do estoque são os primeiros a serem utilizados ou vendidos. É amplamente usado em setores de alimentos, bebidas e cosméticos para evitar desperdícios e perdas por vencimento.

2. Qual a diferença entre FIFO e LIFO?

A principal diferença é a lógica de saída do estoque:

3. Quando o método LIFO deve ser utilizado?

O LIFO é mais indicado para contextos contábeis ou financeiros, em que o objetivo é alinhar os custos de venda aos preços mais recentes de compra. Não é recomendado para produtos perecíveis, pois pode deixar itens antigos esquecidos no estoque.

4. O que é FEFO e quando ele é essencial?

O FEFO – First Expired, First Out significa “primeiro a vencer, primeiro a sair”. É usado para produtos com prazo de validade definido, como alimentos, medicamentos, cosméticos e químicos. Esse método garante conformidade regulatória e evita perdas por vencimento.

5. FIFO, LIFO e FEFO são obrigatórios por lei?

Depende do setor. Em indústrias reguladas, como farmacêutica e alimentícia, o uso do FEFO é obrigatório para atender normas de segurança. Já o FIFO é considerado boa prática de mercado, enquanto o LIFO depende mais de questões contábeis e não é permitido em todos os países.

6. Como a tecnologia ajuda a aplicar FIFO, LIFO e FEFO?

Sistemas como WMS (Warehouse Management System), TMS (Transportation Management System) e RFID permitem rastrear lotes, prazos e entradas em tempo real. Com eles, empresas reduzem erros humanos, aumentam a acuracidade dos inventários e asseguram que os métodos de estoque sejam aplicados corretamente.

7. É possível usar mais de um método de gestão de estoque na mesma empresa?

Sim. Muitas empresas combinam métodos em diferentes áreas: por exemplo, FEFO para medicamentos, FIFO para embalagens e LIFO em análises financeiras. A decisão deve ser feita com base em critérios logísticos, financeiros e regulatórios.

8. Quais são as vantagens de aplicar FIFO, LIFO e FEFO na logística inbound?

9. Como escolher o melhor método para minha empresa?

A escolha depende de três fatores principais:

Empresas que buscam eficiência geralmente adotam FIFO como padrão, ajustando para FEFO em produtos perecíveis e considerando LIFO apenas para análises contábeis.

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